Espera




Frequentemente escrevo frases, palavras, pensamentos, no bloco de notas do celular ou em arquivos do word, na promessa falsa, de que depois volto para discorrer a respeito. É mentira! Eu não volto para a escrita.

Esses dias, encontrei em uma página do word, em um arquivo salvo com o título “estudos curso” a frase “Esperas que são chegadas”. 

AAAAAAAAAAAAAA

Como eu quis lembrar o que eu estava pensando quando escrevi isso! Esperas que são chegadas...

Encontrei esse pensamento solto, que sozinho para mim já dizia algumas coisas, e fui tomada pelo desejo-ação de pregar na parede da minha sala, uma arte que @feijaoarte me deu de presente.

Preguei! Com prego e um peso de porta (já que não tenho martelo), na parede nua, a arte que com cuidado guardei por quase um ano, na espera do dia em que compraria uma moldura, bonita o suficiente para o presente recebido.

Guardei. Até o dia que entendi que, o tempo em que esperei pela moldura, foi também o tempo que perdi, não vendo o colorido do desenho enfeitando minha casa.

Na espera da moldura bonita, esqueci que a intenção-chegada era ter um ponto de cor viva, junto a todas as outras coisas que também são vida para mim, e que estão grudadinhas na parede da minha casa.

Entre esperas e chegadas, o problema é quando eu esqueço o caminho.

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