Me despeço
Quem mais faria uma retrospectiva e despedida de um tênis? Perguntou a Amanda. rs Eu não sei quem mais faria, eu fiz.
Comprei um all star branco e um NB 574 (sim! Eu conhecia tênis por nome) no início de 2020. Eles chegaram e uma semana depois foi decretado lock down.
Esses dias, ouvi uma fala super problemática em que uma pessoa comentava sobre usar brincos (e batom, risos). E é incrível como realmente nós não sabemos o que toca e afeta o outro.
Nas minhas memórias sobre a pandemia, uma das lembranças mais vivas foi a de ter chegado para o plantão, tirado os brincos (e os outros adornos)… e parece que eu nunca saí. Ainda estou presa, vagando por lá.
Quer dizer, quero acreditar que estou por lá cada dia menos. Desde o ano passado tenho ensaiado voltar a usar brincos, mas me incomoda, ainda é estranho.
No entanto, o all star e o NB (principalmente o all star porque o NB virou obra de arte do sapateiro do São Joaquim) acompanharam todos os meus passos de volta a vida que sobrou. Ou a vida que eu tenho inventado a partir de lá.
Nos últimos 4 anos, meus pés percorreram caminhos que eu nunca imaginei para mim. Minha vida toda, hoje é outra vida. Cidade, trabalho, amigos, interesses, lutas… Muito mudou. Em tudo mudei!
Me despeço do tênis, como quem reconhece o quanto andou. Me despeço, do tênis, do passado, de mim. Me despeço e sigo.
Estou enferrujada em escrever, mas chorei muito escrevendo. Ou seja, o texto cumpriu seu papel. rs



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