Memórias
Escrevo em um caderno de capa bonita frases e pensamentos soltos, na promessa pessoal de que um dia vou escrever a respeito de cada um deles.
Tenho também na galeria do celular fotos de palavras em placas e muros dos lugares nos quais estive em viagem. Escreveria versinhos sobre cada uma delas.
Escrevo e faço fotos porque minha memória não é de confiança, eu esqueço. O registro materializa o que eu vivi. Infelizmente, descobri tarde esse recurso. Muito tarde para muitas das coisas da minha vida.
Viagens, relacionamentos, experiências… eu não lembro. Me contento com o relato dos outros sobre o que aconteceu, mas não é a mesma coisa.
Os outros não contam com a ênfase ora cômica, ora trágica mas sempre exagerada, apesar de sensível, que eu devo ter visto as coisas. Como por exemplo, o dia que eu persegui o pôr do sol lá em Campinas. Eu gosto dessa lembrança. Se pudesse escolher, não esqueceria do que senti.
Mas eu não sei se é possível não esquecer. Será que tem memória que não se apaga? Que dura enquanto houver saúde?
Minhas tatuagens também me lembram coisas. Nem todas tem o significado que convencionou-se que as tatuagens precisam ter, para serem melhor aceitas. Algumas das minhas só significam que eu queria fazer tatuagem, mas todas me lembram coisas, tem história.
Como a que eu fiz porque a federal entrou de greve, ou quando eu voltei da minha primeira viagem sozinha, ou quando a tatuadora estava fazendo uma promoção e eu fiz uma palavra com uma fonte ilegível (não era a intenção, eu vivo esquecendo dessa).
Registrar é o meu recurso preferido para criar memoriais, contar do meu jeito a vida que eu quero guardar na lembrança.
E, pelo tanto que eu posto aqui, vocês podem imaginar o muito que eu quero guardar!



Comentários
Postar um comentário