No último mês me percebi brigando com a chuva. Repetidas vezes, em diferentes situações, reclamei. Do quanto me molhou, da bagunça que fez na casa, da hora errada para cair, “justo quando eu preciso sair?”, do chão molhado que me fez escorregar e machucar o joelho, de como a minha franja não combina com a umidade. Reclamei muito!
Quando terminei a graduação, papai me escreveu uma mensagem no convite de formatura resgatando a história de que o primeiro texto que eu escrevi na vida foi contando os pingos. “Um pingo, dois pingos, três pingos... chuva”.
Eu adoro essa história! Adoro que o papai guardou essa memória na lista gigante de memórias que temos, que ele me lembrou disso lá atrás e que eu sempre posso retornar a essa história quando estou contando alguma coisa sobre mim (vide na minha monografia, dissertação, 10em6).
Eu adoro ser a “menina que contava pingos”. Imagina só que susto me perceber a “mulher que reclama do tempo”. No dia que me dei conta disso chovia. Desviei o caminho, não fui assistir a aula que estava marcada para a tarde de domingo e banhei de chuva.
No meio da rua, descalça, banho de bica!
Toquei a campainha da casa dos meus pais toda molhada e, entre susto e sorrisos, papai, que foi quem abriu a porta, disse “tá ficando doida!”
Estava! Bati na porta deles como que para dizer que “estou de volta”. Dizer para mim.
Semana passada banhei de chuva de novo, banhei de chuva correndo (R.I.P. meu fone). Quando terminei meu treino, enquanto retorcia a roupa molhada fui invadida pelo intenso sentimento de “MEUDEUS, como é bom ser eu!”.
Um feat entre “estou onde gostaria de estar” x “no corpo que eu gosto de ter” x “sendo a pessoa que eu tenho orgulho de ser”. Vocês já sentiram isso antes?
Achei que era um pingo bonito para contar aqui.
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