até o fim



Tenho em mim muitos bichos que voam. Bichos que voam e mulheres nuas [Que também são bichos que voam (mas eu não vou elaborar aqui agora)].

Todos são avisos-lembretes que mesmo com os pés no chão eu também sou bicho do céu.


Hoje especialmente foi a minha cigarra que me lembrou da sina-destino que eu escolhi para mim de ser céu.

A estória que o povo conta é que a cigarra canta até a morte, é assim que ela recebe o fim, canta até explodir.

Fui pesquisar o que a biologia diz e a ciência explica que na verdade é o macho que canta. O explodir acontece quando a cigarra troca de exoesqueleto. Ela cresceu, não cabe mais no corpo que habita, precisa crescer mais, daí explode.


Eu acho as duas versões muito bonitas. Explodir por não caber, cantar até o fim.  Juntei as duas para explicar, para mim mesma na época, a necessidade “””urgente””” de fazer mais uma tatuagem de bicho que voa. 🤭

Tenho explodido muitas vezes. 
Essa semana no stories contei um pouco do que possivelmente foi uma das minhas mais recentes explosões e como eu aprendi “cantar” até o fim.

Nunca tive medo de explodir por não caber. Na verdade eu acho que essa é uma das minhas maiores qualidades, não ficar onde sinto que não me cabe mais.
O que eu demorei a lembrar dessa vez é que, depois de explodir se tem mais espaço.

Acostumada com aperto do pouco espaço para ser, comecei esse texto achando que ia escrever sobre explodir. Na verdade escrevi sobre o depois. 

Ainda bem que a minha escrita sempre me conduz para o que eu sei mas ainda não tinha nomeado.

A explosão passou. É tempo de me espalhar.

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